30 de out. de 2011

Tecendo o Prado


por Júlia Garcia

este carro alegórico foi realizado na tentativa de se representar o bairro Prado, suas dinâmicas,
história e texturas.










um dos mais tradicionais da cidade, o bairro Prado esteve intimamente ligado a formação da cidade. O traçado estreito e irregular de suas ruas abriga até hoje inúmeras casas antigas, com quintais e jardins, o que garante a aparente calma e tranquilidade do lugar, apesar do crescente adensamento. O bairro abraça também um grande comércio de confecções, ofício que vem sendo exercido no bairro há muitos anos e não apenas por industrias, mas também artesanalmente.






a ideia principal do carro é a de representar a vida social e as relações entre os moradores do bairro. Relaçoes de vizinhança, as famílias, os momentos do tricotar, tecendo histórias e o próprio bairro. Lembrando que, estas relações são fortes, porém, estão sendo pouco a pouco dilaceradas pelos novos empreendimentos e cotidianos contemporâneos.












29 de out. de 2011

Funcionários - Deu chuchu no pau Brasil

Em minha primeira análise sai da esquina da Av. do Contorno com R. Inconfidentes, perto da praça Milton Campos, e desci até a R. Sergipe esquina com R. Bernardo Guimarães, passando pela Afonso Pena. Tentei observar o que não costumamos ver com o dia-a-dia.



Janelas, portas, cores e casarões foram o que eu mais notei de diferente no bairro. Por ser um bairro bastante antigo, começou a surgir dois anos depois da fundação da capital, existem diversos resquícios de casas ecléticas das décadas passadas, porém construções modernas são as predominantes. Algumas delas tentaram incorporar as casas antigas como fachada do prédio o que torna isso bem característico do Bairro.

Pelas pesquisas efetuadas durante o processo de montagem descobri que as janelas eram algo super valorizado nas décadas passadas. Elas representavam o poder que o dono da residência possuía. Quanto maior o número de janela que a cassa possuía maior era o poder econômico e social do dono da residência.

Outra descoberta é que ao contrário do que se é pensado hoje, pela maioria das pessoas, quanto mais no topo do morro, mais valorizadas eram as casas.

Ou seja, suas janelas e o posicionamento da casa eram o que demonstrava se o morador possuía ou não alto poder aquisitivo.








Com isso em mente comecei a pensar como seria feito o carro. Quais materiais usar..

Então cheguei à conclusão que seria um carro com base de papelão, que fosse um pouco mais duro. Fazendo o morro.

O interior dos prédios é feito de isopor, revestido por cartolina cinza. Representando a cor dos prédios modernos, que em sua maioria é monocromático o que gera um grande contraste se comparado com os casarões.

Para representar a entrada da modernidade no bairro. Coloquei as janelas que foram evoluindo com o passar do tempo. Elas representam a chegada da modernidade e a evolução do pensamento cultural da população.

O morro com as janelas é a representação de que com o passar do tempo a parte de baixo foi se tornando mais requisitada que a parte de cima e que antes a parte de cima era mais solicitada.



28 de out. de 2011

Carro Alegórico: Santa Tereza


Ao pensar o Santa Tereza, tive o desafio de interpretá-lo sem sua principal características, que é a boêmia. Então, em andanças pelas ruas do bairro pude perceber algo que se repetia por toda sua extensão, plantas que nasciam em meio as construções. E esse fato diz muito sobre o que o é o Santa Tereza. Um bairro onde cabem todos os tipos de pessoas, onde o tradicional convive com o novo, a boêmia com a religiosidade e a cidade formal com a informal. Tudo em aparente harmonia.

A ideia principal do carro é representar essa capacidade que o bairro tem de acolher os diferentes tipos de vida, focando naquelas que nascem nas brechas do Santa Tereza. Como é o caso das plantas que ficam em meio às casas e o aglomerado que surgiu as margens do bairro.

Após vivenciarmos o bairro e transformar no projeto do carro alegórico, foi hora de colocar em prática. Houve diversas tentativas e falhas quanto à escolha dos materiais. Inicialmente iria usar papel Paraná para as casas antigas do bairro, mas como tive dificuldade em trabalhar optei pelo papel cartão tanto para as casas antigas quanto para os “barracões”. A experimentação do material foi de fundamental importância para o resultado final.

Flávio Império


Arquiteto, artista plástico e professor, Flávio foi um dos cenógrafos mais importantes do teatro brasileiro. Formado em arquitetura e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo na década de 1950, Flávio iniciou sua carreira como cenógrafo e figurinista com um grupo de crianças.

Os cenários de Flávio são produções complexas, ricas em experimentações técnicas,
em pesquisas de materiais e de campo. Sua busca por diversas formas de expressão, técnicas e linguagens faz deste artista, por essência, uma referência nacional nas áreas em que atuou, principalmente na cenografia.
Na realização dos cenários, Flávio Império é o arquiteto e o mestre de obras. É o
projetista e o executor.

Flávio foi um dos cenógrafos responsáveis pela transição do estilo decorativo(voltado simplesmente à ambientação temporal e espacial da peça, acrescido da idéia de "embelezamento") para uma cenografia não-ilusionista, na qual os cenários e objetos evidenciam suas funções simbólicas e estruturais. Assim,a cenografia passa a refletir uma idéia, ajuda a contar uma história e é criada simultaneamente aos ensaios e concepção da montagem.

Documentário sobre Flávio Império
http://www.youtube.com/watch?v=3jlQgTHqtUM&feature=related - parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=7Xa3IhANQbs - parte 2

Exposição dos Carros Alegóricos

"A presente exposição é o resultado dos trabalhos desenvolvidos pelos alunos de graduação dos cursos Arquitetura e Urbanismo Diurno e Noturno, no âmbito da disciplina Cenografia, ministrada pelo professor Cristiano Cezarino.

O tema do trabalho é a cidade e a performance. Cada aluno foi convidado a investigar as possíveis relações entre a cidade, a cenografia e o evento. Por meio de desenhos, modelagens, fotos, videos e outros dispositivos eles mediram, documentaram e registrarãamos aspectos físicos, metafísicos, sociais e culturais de uma determinados bairros da cidade escolhidos por cada aluno. A intenção era buscar qualidades e características peculiares da área que serviriam de motes para o desenvolvimento das propostas de confecção de um carro alegórico. O carro alegórico constitui uma síntese de todas as elocubrações e investigações desenvolvidas no âmbito da disciplina.

Todo o processo teve como pauta os processos contemporâneos do fazer e do pensar a cenografia, tendo em vista as relações entre os eventos cênicos e a cidade. Os procedimentos usados objetivaram um entendimento das diferentes estratégias de se elaborar, pesquisar e produzir um cenário dentro de um trabalho em escala reduzida. Mesmo nesta escala, a investigação de materiais, técnicas, estratégias de abordagem do tema e do enredo não foram comprometidas e possibilitaram soluções viáveis do ponto de vista técnico, de custo e de produção.

Alguns textos serviram de inspiração para as problematizações: O teatro e a peste, de Antonin Artaud, As Cidades Invisíveis de Italo Calvino.


O resultado final constitui uma pequena amostra do amplo horizonte de propostas, estilos e técnicas da pesquisa e do desenvolvimento de cenografias presente nos nossos dias."

Cristiano Cezarino






























Aqueles Dois

espetáculo da companhia Luna Lunera

Da rotina de uma “repartição” – metáfora para qualquer ambiente inóspito e burocrático de trabalho, revela-se o desenvolvimento de laços de cumplicidade entre dois de seus novos funcionários. Criado a partir do conto homônimo de Caio Fernando Abreu, este espetáculo traz uma cenografia muito dinâmica. Elementos dispostos ao redor do palco são ao longo da peça trocados de lugar assumindo diferentes funções.






Vestígios



por Marta Soares

Criação da dançarina e coreógrafa Marta Soares. Fruto de uma pesquisa de campo realizada nos sambaquis de Santa Catarina, a obra foi construída através de imersões físicas nas escavações arqueológicas dali, com o objetivo de investigar a relação do corpo com o ambiente, captar imagens em vídeo, e coletar sons e vestígios materiais que compuseram a instalação coreográfica.

A cenografia criada por Renato Bolleli é uma plataforma de 2,5 x 3m coberta por uma camada de pedras de arenito rachadas e areia. Essa areia vai se locomovendo pelo vento gerado por ventiladores, simulando uma escavação arqueológica. É sob essa areia que Marta Soares realiza sua performance.






Santa Efigênia - “No que era Quartel, só há colorido!”

Em passeios pelo bairro belo horizontino, chamou-me a atenção a diferença entre o que havia dentro da Avenida do Contorno, e o que estava do outro lado. Esse marco divisório separa um local bem arborizado, com ruas largas e praças de outro onde as ruas são mais estreitas e onde quase não se há vegetação. Até mesmo o terreno é discrepante, um lado é plano e outro é repleto de morros.  Foi quando lembrei-me da seguinte narrativa do livro “As Cidades Invisíveis” de Ítalo Calvino, que me serviu de inspiração:

As cidades e o desejo 3
Há duas maneiras de se alcançar Despina: de navio ou de camelo. A cidade se apresenta de forma diferente para quem chega por terra ou por mar.
O cameleiro que vê despontar no horizonte do planalto os pináculos dos arranha-céus, as antenas de radar, os sobressaltos das birutas brancas e vermelhas, a fumaça das chaminés, imagina um navio; sabe que é uma cidade, mas a imagina como uma embarcação que pode afastá-lo do deserto, um veleiro que esteja para zarpar, com o vento que enche as suas velas ainda não completamente soltas, ou um navio a vapor com a caldeira que vibra na carena de ferro, e imagina todos os portos, as mercadorias ultramarinas que OS guindastes descarregam nos cais, as tabernas em que tripulações de diferentes bandeiras quebram garrafas na cabeça umas das outras, as janelas térreas iluminadas, cada uma com uma mulher que se penteia.
Na neblina costeira, o marinheiro distingue a forma da corcunda de um camelo, de uma sela bordada de franjas refulgentes entre duas corcundas malhadas que avançam balançando; sabe que é uma cidade, mas a imagina como um camelo de cuja albarda pendem odres e alforjes de fruta cristalizada, vinho de tâmaras, folhas de tabaco, e vê-se ao comando de uma longa caravana que o afasta do deserto do mar rumo a um oásis de água doce à sombra cerrada das palmeiras, rumo a palácios de espessas paredes caiadas, de pátios azulejados onde as bailarinas dançam descalças e movem os braços para dentro e para fora do véu.
Cada cidade recebe a forma do deserto a que se opõe; é assim que o cameleiro e o marinheiro vêem Despina, cidade de confim entre dois desertos.

As duas partes do bairro são, para mim, iguais em apenas uma coisa: a vida que ali acontecia. Não importa quantas árvores tem ou quantas casas existem, nos dois locais há seres humanos usufruindo da sua forma daquele espaço.

A idéia que surgiu para colocar tal conceito em forma física foi conseqüência da primeiríssima impressão que tive durante esse processo de descoberta do bairro: a imagem de que as casas, na região mais próxima aos hospitais, guardam para elas o que ali acontece de mais vivo, visto que essa parte do bairro é bastante tumultuada e cinza. Pensei em uma caixa. E ela foi se modificando até chegar ao que é hoje:




Os materiais utilizados foram:
-  Papel calandrado -> base e laterais, escorregadores, bancos e balanços
- Folha de isopor -> parte superior da caixa
- Papel fantasia -> revestimento do papel calandrado e do isopor
- Arame encapado de verde -> tronco, galhos e raízes das árvores
- Lã rosa -> folhas das árvores
- Bonecos de E.V.A.
- Fio de nylon e cola Cascorez -> modelagem dos bonecos
- Bucha vegetal tingida de verde -> grama
- Lã amarela e roxa -> detalhes dos escorregadores, cordas dos balanços, escadas, bola, cobertura dos escorregadores.

As partes se unem com cola Cascorez. Os escorregadores foram uma solução estrutural para que a caixa não deformasse; e o isopor foi utilizado para que as raízes pudessem atravessar os dois ambientes com fácil manuseio.

Inicialmente, a caixa era maior e as laterais eram cobertas. Porém, para deixar o carro alegórico  mais leve, a altura foi reduzida e como suportes laterais ficaram somente as escadas. Os bonecos, sem modelagem, lembravam muito os bonecos símbolos do Criança Esperança. As árvores estavam sem volume e posteriormente ganharam um volume pesado com a lã pouco modelada até o modelo atual.

Essa nova configuração propiciou maior leveza ao carro e facilitou o entendimento da sua idéia: pouco importa onde se está no Santa Efigênia, tudo pode ser diversão.